quinta-feira, 28 de maio de 2015

Como devemos orar pela Igreja Perseguida? ESPECIAL DIP (Dia 31 de Maio)

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INTRODUÇÃO

Como discípulos de Jesus Cristo sabemos que não somos deste mundo e por isso ele nos odeia (Jo 15:19). Reconhecemos que não há como vivermos a maravilhosa doutrina cristã sem provocar algum tipo de perseguição no mundo. A nossa pátria não é daqui, vivemos como peregrinos em uma terra estranha e corrompida pelo pecado. Portanto, para nós, a perseguição é um fato inevitável para aqueles que realmente buscam ser fiéis a Cristo.
Jesus chegou a prometer aos seus discípulos grande recompensa por causa da perseguição que passariam (Mt 5:11-12). Entretanto, nós, que temos hoje liberdade de culto e uma maior responsabilidade para com a Igreja Perseguida, temos que ter uma visão mais ampla dos seus propósitos no que se refere a perseguição. Temos que ter em mente que todos os que piamente querem viver nEle padecerão perseguições (2 Tm 3:12), mas isso não significa necessariamente que o Senhor nunca queira livrá-los ou guarda-los do mal (ver também Mt 5:13).
Mas então, como devemos orar? A Bíblia nos orienta sobre isso. Primeiro, precisamos ter em mente que ela diz que Deus é soberano sobre todas as coisas e, que por causa de sua soberania, muitas vezes Ele se utiliza da perseguição para que o seu nome seja glorificado e conhecido entre os povos (At 21:13).

A PERSEGUIÇÃO NA HISTÓRIA
E a Igreja sempre teve essa visão da perseguição. Vemos que desde o início, ela enfatizava essa questão da importância da perseguição relacionando-a a expansão do Reino de Deus, principalmente no que tange aos primeiros séculos (até o IV – período que sofreu cerca de 10 grandes perseguições). Já no segundo século, por exemplo, um dos pais da Igreja, chamado Tertuliano de Cartago, disse: "O sangue dos mártires é a semente dos cristãos". A ideia de morrer por Cristo era muito forte no coração desses crentes, como temos outros exemplos históricos, como Policarpo de Esmirna (discípulo de João) e Inácio de Antioquia (discípulo de Paulo). Veja o que Inácio disse nesse trecho de sua Carta para a Igreja de Roma antes de ser morto no coliseu:
Tenho escrito a todas as Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que vós não me impeçais. Suplico-vos: não demonstreis por mim uma benevolência intempestiva. Deixai-me ser alimento das feras, porque, através delas, pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus: que seja eu triturado pelos dentes das feras para tornar-me puro pão de Cristo!- Inácio de Antioquia

Outra curiosidade interessante é que esses cristãos primitivos também faziam questão de ser martirizados semelhantemente a Cristo, como sendo um sinal de paixão ou identificação com sua morte. Vemos isso, por exemplo, já na morte de Estevão no Novo Testamento. Em Atos 7:59-60 relata-se que: "E apedrejaram-lhe Estevão, que em oração dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes culpe por esse pecado. Tenho dito isso, adormeceu". Veja que há grandes semelhanças da morte de Jesus na morte de Estevão (Lc 23:34) – [ver trechos grifados]. A história dessa maneira confirma que essa prática foi bastante comum entre os mártires dos primeiros séculos – eles morriam com paixão, esperando que isso agradasse ao Pai!
Outra coisa digna de destaque é que esse grandioso testemunho dos mártires, na maioria das vezes também vinha acompanhado com algum tipo de manifestação sobrenatural do Espírito Santo, o que dava grande força à conversão. Eles não só morriam e pronto, havia algo sobrenatural que acabava mexendo com aqueles que testemunhavam o martírio. Um testemunho clássico é, por exemplo, o martírio de Policarpo. Ele não só defendeu a sua fé perante o tribunal romano e calou os ouvintes chamando-os de “ateus”, mas também houve um milagre em sua fogueira, pois enquanto a lenha queimava surgiu uma “bolha” de proteção que o defendeu do calor. O jeito depois de tanto tempo sem ser morto, foi um dos guardas feri-lo com uma lança.

 NA MAIORIA DAS VEZES, DEUS NÃO DESEJA A PERSEGUIÇÃO.
Entretanto, achamos conveniente no DIP chamarmos a atenção que nem sempre Deus quer que seus filhos passem pelo martírio. Muitas vezes Deus quer nos livrar sim da morte e das prisões como vemos nos seguintes textos: 2 Tm 3:11, Lc 21:18 e At 5:17-20. Paulo disse que devemos orar pelas autoridades, governadores e reis, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, sem perseguição (Veja em 1 Tm 2:1-2). Ele mesmo pediu para que ele fosse salvo dos homens perversos (2 Ts 3:1-2)!
Deste modo concluímos que Deus usa da perseguição quando é preciso, mas quando não, Ele quer nos livrar. Por isso cremos que devemos orar com entendimento pela Igreja perseguida. Por um lado, sabendo que a perseguição pode cooperar com os planos de Deus, mas por outro, que ela muitas vezes também se torna um grande obstáculo para a expansão do Evangelho. Devemos orar para que Deus estabeleça a sua boa, perfeita e soberana vontade em meio às perseguições. Que Deus livre quem queira livrar e que fortaleça a fé daqueles que não queira salvar (2 Tm 3:6-8).

UMA ORAÇÃO COM UMA VISÃO MAIS AMPLA
Também não podemos nos esquecer de que onde há perseguição exagerada ou radical (maior do que em países onde o evangelho é mais aceito), há um povo ignorante e perdido e que precisa de salvação. Precisamos, além de olhar para perseguição, olhar para aqueles que sem entendimento perseguem a Igreja, enganados muitas vezes por falsas religiões. Oremos por eles também (Mt 5:44)!
Mas precisamos acima de tudo nesse DIP, orar para que o Reino de Deus seja estabelecido sobre os povos e que a vontade soberana do Senhor seja cumprida sobre os seus servos. Que seja através da vida fervorosa daqueles que proclamam e edificam ou da morte daqueles que jamais abriram mão de sua fé. Que Deus os console, fortaleça e que sejam instrumentos de salvação e eternidade!

Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo”. – Hb 13:3


Que imaginemo-nos como se fôssemos eles. Assim oraremos com grande carga e dor! Amém!